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Simples Nacional Híbrido: vale a pena pagar IBS e CBS por fora do DAS?

A Reforma Tributária permite que empresas do Simples Nacional recolham IBS e CBS separadamente. Entenda como analisar se o regime híbrido compensa para o seu negócio com exemplos práticos e simulações.

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Simples Nacional Híbrido: IBS e CBS por fora do DAS

A Reforma Tributária trouxe uma novidade importante para as empresas do Simples Nacional: a possibilidade de continuar no regime simplificado, mas optar por recolher o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) separadamente, fora do DAS.

Esse modelo recebeu o nome de Simples Nacional Híbrido. E a pergunta que toda empresa optante pelo Simples precisa responder é: vale a pena?

A resposta depende de três variáveis específicas do seu negócio — e não existe uma resposta universal.


O que muda no Simples Nacional?

Hoje, o DAS (Documento de Arrecadação do Simples) concentra todos os tributos devidos pela empresa em uma única guia. Com a Reforma Tributária, o IBS e a CBS passam a existir como novos tributos — e o Simples terá duas opções:

Opção Como funciona
Regime Único IBS e CBS continuam dentro do DAS, sem mudança na operação atual
Regime Híbrido IBS e CBS recolhidos separadamente, pela sistemática regular (não simplificada)

A opção pelo regime híbrido é voluntária. Mas escolher errado tem custo — em um sentido ou no outro.


Por que alguém escolheria pagar por fora?

À primeira vista, parece contraditório: a empresa está no Simples justamente para simplificar. Por que complicar?

A resposta está nos créditos de IBS e CBS. No regime regular, o comprador tem direito de se creditar do imposto pago na aquisição. No Simples unificado, os créditos que a empresa transfere aos seus clientes são menores — o que pode ser uma desvantagem competitiva em cadeias B2B.

Em outras palavras: uma empresa que vende principalmente para outras empresas (B2B) pode atrair mais negócios ao oferecer créditos maiores — e isso pode compensar uma carga tributária ligeiramente maior para ela própria.


A análise em quatro etapas

A decisão não se resume à alíquota. O caminho correto passa por quatro perguntas:

1. Quanto minha empresa paga de imposto em cada opção? Compare a carga tributária do DAS unificado com a carga do regime híbrido para o seu faturamento e atividade.

2. Quanto eu aproveito de créditos nas minhas compras? Nem toda aquisição gera crédito integral. Insumos, mercadorias para revenda e serviços têm tratamentos diferentes — e nem todos os fornecedores estão no regime regular.

3. Para quem eu vendo? Se seus clientes são consumidores finais (B2C), eles não aproveitam créditos de IBS/CBS — então o crédito que você transfere não tem valor para eles. Se seus clientes são empresas (B2B) que usam o crédito, a equação muda.

4. Qual o ponto de equilíbrio? Com base nas respostas acima, é possível calcular a partir de qual volume de compras ou percentual de clientes B2B o regime híbrido passa a compensar.


Simulações práticas

As simulações abaixo usam valores hipotéticos para ilustrar o raciocínio. Os resultados reais dependem das alíquotas definitivas do IBS e CBS, que ainda estão sendo regulamentadas.

Simulação 1 — Varejo B2C com baixo volume de compras

  • Faturamento: R$ 100.000
  • Compras: R$ 15.000
  • Clientes que aproveitam crédito: 20%

Simulação 1: empresa varejista B2C com compras de 15% do faturamento

Resultado: carga por dentro do DAS (R$ 7.190) é menor que por fora (R$ 7.637,97). O regime híbrido aumentaria o custo em R$ 447,97 sem compensação relevante. Manter no DAS é mais vantajoso.


Simulação 2 — Distribuidor B2B com volume médio de compras

  • Faturamento: R$ 100.000
  • Compras: R$ 40.000
  • Clientes que aproveitam crédito: 90%

Simulação 2: distribuidor B2B com compras representando 40% do faturamento

Resultado: carga por fora (R$ 7.157,13) fica abaixo do DAS (R$ 7.190), e os clientes recebem R$ 1.553,40 a mais em créditos. O regime híbrido pode ser vantajoso, tanto pelo custo próprio menor quanto pela vantagem competitiva oferecida à cadeia.


Simulação 3 — Alto volume de compras, mas clientes B2C

  • Faturamento: R$ 100.000
  • Compras: R$ 70.000
  • Clientes que aproveitam crédito: 20%

Simulação 3: empresa com muitas compras mas clientela predominantemente B2C

Resultado: apesar do alto volume de compras (que gera créditos), a carga por fora (R$ 8.538,43) supera significativamente o DAS (R$ 7.190) — porque os clientes não aproveitam os créditos transferidos. Manter no DAS é claramente mais eficiente.


O que as simulações ensinam

Perfil da empresa Tendência
Varejo B2C, poucas compras Manter no DAS
Serviços B2C Manter no DAS
Distribuidor B2B, muitas compras Avaliar híbrido
Indústria vendendo para empresas Avaliar híbrido
Misto B2B + B2C Calcular ponto de equilíbrio

A posição na cadeia produtiva é o fator mais determinante. Empresas que vendem para consumidores finais raramente se beneficiam do regime híbrido. Empresas inseridas em cadeias B2B precisam calcular.


Quem deve fazer essa análise?

A decisão pelo regime híbrido é estratégica e deve ser tomada em conjunto com o contador da empresa. Os dados necessários para a análise já existem: faturamento, volume de compras e perfil dos clientes estão no histórico do ERP.

O que muda é o olhar — não basta calcular só a carga tributária própria. É preciso considerar o resultado econômico global, incluindo o valor que a empresa entrega (ou deixa de entregar) à sua cadeia.

A pergunta certa não é “qual alíquota é menor?”, mas sim: “considerando o que minha empresa compra, fatura e para quem vende, qual alternativa produz o melhor resultado?”


Os sistemas ERP e NFe Brasil da Caneva serão atualizados para suportar os dois regimes — unificado e híbrido — antes da implantação definitiva da Reforma Tributária. Clientes com contrato de manutenção receberão as atualizações automaticamente. Em caso de dúvidas, entre em contato com nossa equipe.

Baseado em

Marco Polo Viana
Marco Polo Viana

Diretor da SACFiscal & Automação, contador, desenvolvedor de software fiscal e mentor do Projeto ACBr.

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